Resultados dos frigoríficos: confira os números de JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3), BRF (BRFS3) e Minerva Foods (BEEF3) do 3T23

Tempo de leitura: 4 minutos

Resultados dos frigoríficos
Resultados dos frigoríficos

Os resultados dos frigoríficos no 3° trimestre de 2023 foram impactados por alguns eventos importantes, como a queda do preço do boi (em especial, nos meses de julho e agosto) e do frango no período. Quanto ao boi, desvalorização do dólar e a maior quantidade de gado no pasto puxaram os preços para baixo, principalmente no mercado internacional. Já em relação ao frango, bloqueios temporários por parte do Japão fizeram com que as empresas direcionassem a produção para outros países, o que desequilibrou momentaneamente a oferta e, consequentemente, os preços também.

A seguir, confira os resultados do 3T23 da JBS (JBSS3), Marfrig (MRFG3), BRF (BRFS3) e Minerva Foods (BEEF3).

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JBS (JBSS3)

O lucro líquido da JBS alcançou R$ 572,7 milhões no 3T23, queda de 85,7% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado. A piora do indicador reflete, principalmente, a queda da receita líquida e o aumento das despesas financeiras do período.

A receita líquida consolidada do 3T23 foi de R$ 91,4 bilhões contra R$ 98,9 bilhões na comparação anual, queda de 7,6%. Segundo o relatório de resultados, cerca de 75% das vendas totais foram efetuadas nos mercados domésticos de atuação da companhia, e 25% correspondem a exportações.

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Já o EBITDA ajustado fechou em R$ 5,4 bilhões, um recuo de 43,3% ante o 3° trimestre de 2022, mas 21% acima do trimestre imediatamente anterior. A margem EBITDA ajustada ficou em 5,9% no 3T23, contra 9,6% no 3T22 e 5,0% no 3T22.

A despesa financeira líquida atingiu R$ 1,27 bilhão no 3T23, um aumento de 23,6% em relação à perda financeira de igual período do ano anterior. Já a dívida líquida fechou em R$ 80,38 bilhões, alta de 2,7% na base anual.

“Como já era previsto diante de um cenário mais desafiador em 2023, nossa alavancagem alcançou 4,87x em dólar. Ainda assim, reforçando a forte capacidade de geração de caixa de nossos negócios, reduzimos a nossa dívida líquida em US$ 600 milhões”, disse a JBS na divulgação dos resultados. A companhia informou também que alongou o prazo médio da dívida para 12 anos, reduziu o custo da dívida e afirmou que entrará em um processo estrutural de desalavancagem a partir do último trimestre de 2023.

Marfrig (MRFG3)

De julho a setembro, a Marfrig registrou prejuízo líquido de R$ 112 milhões, resultado que reverteu o lucro líquido de R$ 431 milhões auferido no mesmo período do ano passado. O recuo do indicador é efeito, principalmente, da queda da receita líquida, alta do custo de produção (CPV), e de parte do prejuízo de R$ 262 milhões da BRF, empresa da qual a Marfrig passou a deter 40% ao final do 3T23.

Apesar do aumento de 4% das vendas físicas, a receita líquida da Marfrig caiu 2,1% na comparação anual, fechando o 3T23 em R$ 35,6 bilhões contra R$ 36,4 bilhões no mesmo período de 2022. Segundo a companhia, a queda da receita se explica pela performance da operação América do Sul, impactada negativamente pelos preços internacionais.

Atualmente, 76% das vendas da Marfrig são oriundas de exportações, com EUA na liderança desse mercado (45%), seguido de Oriente Médio (8%) e China (6%).

O EBITDA do 3T23 somou R$ 2,56 bilhões, queda de 32,5% na comparação anual, devido à queda da receita de vendas e à alta do custo de produção, que chegou a R$ 31,69 bilhões (+2,1%). Já a margem EBITDA ficou em 7,2% de julho a setembro, um recuo de 3,2 pontos-base ante o 3° trimestre de 2022.

Ao final de setembro, a dívida líquida consolidada da Marfrig era de R$ 33,5 bilhões (ou US$ 6,7 bilhões), valor 14,6% inferior ao de 12 meses antes. Segundo a companhia, o recuo se deve à geração de caixa de R$ 1,87 bilhão no período, às infeções de capital na BRF (follow-on de R$ 5,4 bilhões) e aumento de capital na Marfrig, o que elevou o caixa em R$ 360 milhões líquidos da participação na BRF.

BRF (BRFS3)

A BRF reportou prejuízo de R$ 262 milhões no 3T23, valor 92% acima do resultado negativo do mesmo período do ano passado. A piora do indicador reflete a sobreoferta de frango no mercado mundial, o efeito Japão que explicamos anteriormente e, segundo informações da empresa, a hiperinflação na Turquia.

A receita líquida somou R$ 13,80 bilhões de julho a setembro, recuo de 1,8% na base anual e alta de 13,1% ante o 2T23.

Já o EBITDA ajustado foi de R$ 1,20 bilhão no 3T23 contra R$ 1,38 bilhão na comparação anual, queda de 13%. A margen EBITDA ajustada ficou em 8,7% no 3° tri 2023, 1,1 ponto percentual abaixo do mesmo período de 2022.

Segundo o CEO da BRF, Miguel Gularte, o plano de eficiência implementado no ano passado já capturou R$ 677 milhões, superando a meta definida para o período. “Neste trimestre, completamos um ano de implementação do plano e seguimos evoluindo nos nossos principais indicadores operacionais que, em muitos casos, já são melhores que o benchmark inicial estabelecido em 2019”, informou o CEO no relatório de resultados da companhia. Para 2023, a expectativa é de que a cifra chegue a R$ 3 bilhões.

Minerva Foods (BEEF3)

A Minerva Food manteve resultado estável na comparação anual, fechando o 3° trimestre de 2023 com lucro líquido de R$ 141 bilhões. Já a receita líquida do período somou R$ 7,06 bilhões, queda de 16,2% em relação ao mesmo período de 2022, basicamente em função dos preços menores da carne bovina.

No 3T23, as exportações da empresa corresponderam a 64,4% da receita do período, com a Ásia na dianteira desse mercado (43%) e China liderando a região (33%).

O recuo dos preços impactou também o EBITDA, que atingiu R$ 713,7 milhões no 3T23 contra R$ 806,2 milhões na comparação anual, queda de 11,5%.

Ao final de setembro, a dívida líquida da companhia era de R$ 8,96 bilhões, alta de 38,4% em 12 meses. Já o grau de alavancagem (dívida líquida/EBITDA) ficou em 2,8 vezes no 3T23 contra 2,2 vezes no mesmo período de 2022.

Segundo a Minerva Foods, a estrutura de capital segue equilibrada, em linha com as diretrizes e perspectivas estratégicas, mesmo depois da aquisição da ALC e BPU Meet e do pagamento de R$ 114 milhões de dividendos antecipados (R$ 0,19 por ação).

Está sob avaliação do Cade o acordo que a Minerva fechou para adquirir 16 plantas da Marfrig, transação avaliada em R$ 7,5 bilhões.

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