Existe risco na renda fixa? Descubra agora!

Tempo de leitura: 5 minutos

Risco na renda fixa
Risco na renda fixa

Algumas pessoas acreditam que, para deixar o dinheiro seguro, basta fugir da renda variável. Porém, embora não seja tão visível como acontece com as oscilações da bolsa, existe sim risco na renda fixa.

Muitos associam a renda fixa somente à segurança e estabilidade. No entanto, essa categoria de investimentos não é toda igual e, para investir com segurança, é preciso conhecer quais riscos os diferentes papeis podem apresentar.

Pensando nisso, preparamos esse conteúdo para que você conheça melhor os aspectos que envolvem riscos nesses investimentos. Continue a leitura e saiba mais!

Botão WhatsApp

Risco na renda fixa: dá para perder dinheiro?

Sim, dá para perder dinheiro na renda fixa, pois ela está sujeita a diferentes tipos de riscos.

Normalmente, os especialistas utilizam três ou quatro classificações para explicar o risco na renda fixa. Essas classificações se referem ao risco de crédito, liquidez, marcação a mercado e reinvestimento. A seguir, entenda como isso funciona na prática.

1 – Risco de crédito

Em outras palavras, esse é o risco de “calote” por parte do emissor do título.

Quando você adquire um título de renda fixa, está emprestando dinheiro a quem o emitiu por um determinado período e taxa predefinidos. No caso do Tesouro Direto, a garantia é o próprio governo federal e, por isso, esses títulos são considerados os mais seguros do mercado. Não que seja impossível um país deixar de pagar os seus credores, mas, para que isso aconteça, teoricamente todo o resto da economia terá colapsado antes.

Já títulos emitidos por instituições financeiras – como CDBs, RDBs, LCIs e LCAs – contam com a proteção do Fundo Garantidor de Crédito (FCG). Esse fundo garante até R$ 250 mil por CPF em cada instituição financeira, até o limite de R$ 1 milhão. Logo, para contar com a proteção do FGC nesses títulos, basta você respeitar esse limite em cada banco ou corretora que for investir.

Mas existe uma categoria na renda fixa chamada de crédito privado, que engloba títulos não cobertos pelo FGC. Os investimentos mais comuns dessa classe são os Certificados de Recebíveis Imobiliários e do Agronegócio (CRIs e CRAs) e as debêntures.

De forma geral, a renda fixa privada costuma ter vencimentos mais longos, justamente porque esses títulos financiam projetos de longo prazo. Para compensar o risco, as instituições financeiras costumam oferecer taxas mais atraentes em relação aos títulos públicos e à renda fixa bancária.

2 – Risco de liquidez

Outro risco na renda fixa é o de liquidez, que se refere à facilidade (ou não) que o investidor tem de vender o ativo quando desejar.

Se você adquire um título como Tesouro Selic ou um CDB de liquidez imediata, esse risco não existe. Isso porque, a qualquer momento, você pode negociar essas aplicações no mercado. O mesmo acontece com LCIs e LCAs, dependendo da carência e do prazo desses títulos.

No entanto, para títulos públicos de prazos mais longos (como Tesouro prefixado ou IPCA+) ou para os de crédito privado, a liquidez não é a mesma. Nesse caso, para negociar os títulos antes do vencimento, é preciso recorrer ao mercado secundário de renda fixa.

No entanto, não há garantia de que se consiga uma negociação vantajosa nesse mercado. Para vender um título no mercado secundário, você precisará de uma corretora, que cobrará uma taxa por esse serviço. Isso já reduz o potencial ganho de seu investimento. Por isso, na hora de escolher um título de renda fixa, é muito importante avaliar o prazo além da rentabilidade.

LEIA TAMBÉM:

Como escolher um título de renda fixa? Saiba o que avaliar

Indexadores de investimentos: como escolher o melhor?

Crédito privado: o que é e quando vale a pena investir

3 – Risco de marcação a mercado

Se você tem algum título do Tesouro Prefixado ou IPCA+, é possível que alguma vez já tenha tomado um susto ao consultar o extrato da aplicação. Muitas vezes, quando fazemos isso, percebemos que o saldo atual está menor do que o aporte que fizemos inicialmente.

O que explica isso é a marcação a mercado, que atinge não só títulos de renda fixa, mas também fundos de investimentos e ativos de renda variável negociados na bolsa.

Por exemplo, suponha que você adquiriu hoje um Tesouro prefixado com vencimento em 5 anos e que paga 12% ao ano. Agora imagine que, daqui a um ano, a taxa Selic esteja mais alta do que hoje. Se isso acontecer, o Tesouro lançará títulos com o mesmo prazo do seu, mas com juros mais altos do que o que você comprou, certo?

Com a Selic mais alta, um investidor que comprar o Tesouro prefixado daqui a um ano receberá mais do que os seus 12%. Isso significa que o seu título ficou menos atraente quando comparado aos novos títulos lançados pelo Tesouro. Por isso, o preço do seu título sofre uma redução, e é isso o que chamamos de marcação a mercado.

Apesar de ser um risco na renda fixa, a marcação a mercado pode funcionar de forma contrária. Ou seja, na situação acima, se a taxa de juros cair, o seu título passa a ser mais vantajoso do que os lançados posteriormente.

4 – Risco de reinvestimento

Por fim, existe também o risco de reinvestimento na renda fixa. Nesse sentido, ele se refere à possibilidade de que, no vencimento do título, o investidor não encontre outro que ofereça as mesmas condições acordadas inicialmente.

O mesmo exemplo que utilizamos anteriormente pode servir aqui para entender o risco de reinvestimento. Se, no vencimento do seu Tesouro prefixado, você quiser reinvestir o dinheiro e a Selic tiver caído, possivelmente encontrará taxas menores. Nesse caso sim pode ser vantajoso recorrer ao mercado secundário, mas dessa vez como investidor, para tentar encontrar boas oportunidades.

Dá para evitar o risco na renda fixa?

Não há como eliminar totalmente o risco em um investimento, e isso vale também para a renda fixa. O que se pode fazer é prestar atenção em alguns pontos importantes antes de investir, como por exemplo:

Prazo do investimento

Como vimos, o resgate antecipado de alguns títulos de renda fixa podem resultar em perda de rentabilidade, de acordo com o momento do mercado. Logo, antes de investir no longo prazo, é importante avaliar o próprio fluxo financeiro e entender se esse dinheiro não fará falta até o vencimento.

Rating do emissor do título

Esse ponto vale principalmente para os títulos de crédito privado. Como eles não contam com a proteção do FGC, para dar mais segurança ao investidor, os emissores desses títulos são avaliados por agências de classificação de risco.

Embora cada agência tenha seus próprios critérios, não é comum encontrarmos divergências significativas entre as avaliações. Logo, na hora de escolher um título de crédito privado, é importante que se tenha atenção ao rating de crédito desses títulos. Quanto mais alto, maiores serão as chances de que o pagamento do título seja honrado, e vice-versa.

Momento da economia

Entender o cenário econômico ajuda a rentabilizar o investimento, pois, para cada momento, existe um ou outro título de renda fixa mais adequado.

Papéis prefixados, por exemplo, costumam ser mais interessantes quando há expectativa de queda dos juros. Ou seja, não importa o que aconteça com a Selic durante o prazo do investimento, pois a remuneração contratada é fixa.

Por outro lado, em um cenário de Selic em alta, os títulos pós-fixados conseguem capturar melhor o aumento dos juros. E quando há perspectivas de inflação alta, a renda fixa atrelada ao IPCA ou IGP-M também se torna mais interessante, pois ajuda a preservar o valor do dinheiro no tempo.

Vamos te ajudar a cuidar melhor do seu dinheiro!

Compartilhe:

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on pinterest
Share on telegram
Share on whatsapp
Share on email
Blog Terra Investimentos

Posts Relacionados