Você acha que o mundo da renda fixa é meio parecido? Então precisa conhecer os CRIs e CRAs

Esses títulos são muito semelhantes. No entanto, as diferenças entre CRI e CRA é somente o tipo de lastro, ou seja, a garantia na qual estão baseados.

Voltados ao médio e longo prazo, estes investimentos podem oferecer uma rentabilidade mais interessante do que alguns CDBs e Tesouro Direto, por exemplo.

Veja a seguir como esses dois investimentos funcionam na prática:

E o que são os CRIs e CRAs?

Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI)

Os CRIs são uma forma de captação de recursos para financiamento das transações do mercado imobiliário. É como se fosse uma promessa de pagamento futuro de imóveis.

E como isso funciona?

Imagine que você adquiriu um imóvel na planta, e a construtora lhe entregará em 3 anos. Você assumiu a responsabilidade de pagar as parcelas até o recebimento das chaves. Logo, ela tem um crédito seu a receber pela compra do imóvel. Através da emissão de um CRI, a construtora consegue vender o seu crédito para terceiros e, dessa forma, pode receber à vista todo o montante que você pagaria a ela em 3 anos.

Para formalizar essa operação, a construtora contratará uma companhia securitizadora, ou seja, uma empresa habilitada a converter esses recebíveis em títulos que podem ser negociados. Essa securitizadora colocará esses papéis à venda e acompanhará todo o processo.

Em suma, ao adquirir um CRI, é como se o investidor estivesse ajudando a financiar o imóvel que já foi vendido e que ainda está em construção. E, em troca disso, receberá juros.  

Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA)

A lógica é a mesma do CRI, porém, nesse caso, os recebíveis têm origem em operações ligadas ao agronegócio. Os investimentos em maquinários, a industrialização de produtos agrícolas e o aumento da comercialização desses produtos são alguns exemplos de operações que podem dar lastro aos CRAs.

Características dos CRIs e CRAs

Como já vimos, ambos são aplicações em renda fixa. Porém é necessário conhecermos outras características desses investimentos:

Liquidez

Tanto o mercado imobiliário quanto o agronegócio trabalham com prazos longos na execução de seus projetos. Logo, os CRIs e CRAs costumam ter vencimentos longos, entre 3 a 5 anos. Porém, em determinados casos, esses prazos podem facilmente ultrapassar 10 anos. 

Dessa forma, o investidor deve ter bem claro que ambos são investimentos de médio e longo prazos, pois poderá encontrar dificuldades caso deseje resgatar os recursos antes do vencimento.

Rentabilidade

Os CRIs e CRAs adotam o mesmo padrão de rentabilidade de outras aplicações de renda fixa. Normalmente há 3 opções de remuneração:

  • Prefixada: nesse formato, a taxa é fixada no momento da aplicação. Ou seja, ao adquirir os papéis o investidor já sabe quanto irá ganhar ao final do período aplicado;
  • Pós-fixada: aqui a rentabilidade é atrelada a algum indicador, como CDI ou Taxa Selic, por exemplo. O investidor não sabe antecipadamente quanto renderá a aplicação, pois o desempenho do índice escolhido é que determinará o rendimento final do investimento;
  • Atrelada à inflação: também conhecida como híbrida, essa remuneração tem uma parte prefixada e outra pós-fixada. A parcela prefixada assegura uma taxa de juros mínima (5% ao ano, por exemplo). Já a pós-fixada corresponde à variação da inflação, medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ou pelo IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado).

Riscos

Diferentemente de outros títulos de Renda Fixa, os CRIs e CRAs não possuem a garantia do FGC, ou seja, carregam mais riscos. Entretanto isso não significa que esses investimentos não sejam seguros. 

A avaliação do risco dependerá do rating link (ou nota de risco) de cada emissor. Esta nota é dada por agências de classificação de risco, e avalia basicamente a capacidade que o emissor (nesse caso, a securitizadora) tem de pagar as duas dívidas.

Portanto, o rating do emissor é uma informação de extrema importância para que o investidor escolha um CRI ou CRA. Uma vez que se trata de um investimento de longo prazo, é importante saber que esses recursos estão sendo administrados por uma instituição que ofereça segurança e credibilidade.

Tributação e taxas

Uma das vantagens desses títulos é a isenção de Imposto de Renda e de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A maioria dos investimentos de renda fixa obedece a tabela regressiva de IR, que inicia em 22,5% e pode chegar a 15% dependendo do prazo que o recurso permanece aplicado. Os CRIs e CRAs são exceções na categoria.

Além disso, normalmente não há cobrança de taxa de administração ou de custódia sobre esses certificados. Isso também acaba por se tornar um dos atrativos dessas modalidades. 

E vale a pena investir nesses títulos?

Para responder, é bom relembrarmos as principais características dos CRIs e CRAs:

  • São títulos de renda fixa, com lastro em operações do setor imobiliário (CRIs) e do agronegócio (CRAs);
  • Diferentemente de outros títulos de renda fixa, são emitidos por companhias securitizadoras, não por bancos;
  • Podem ser prefixados, pós-fixados ou híbridos. O investidor escolhe a forma de remuneração na contratação;
  • Não têm proteção do FGC, logo são mais expostos a risco. Todavia são obrigados a ter classificação de rating de empresas especializadas para que seu risco possa ser mensurado;
  • São isentos de Imposto de Renda, IOF e normalmente não têm taxas de administração e custódia, o que torna seu rendimento mais atrativo do que algumas outras aplicações de renda fixa;
  • O investidor poderá sacrificar a rentabilidade caso se desfaça desses títulos antes do vencimento. Ou seja, a liquidez é limitada.

Em suma, ambos os títulos podem ser boas opções para diversificar seus investimentos de médio e longo prazo. Você só precisa analisar todos os pontos acima para decidir se são ou não adequadas ao seu perfil e suas expectativas.

Para entender mais sobre as diversas opções de investimentos, vale muito a pena abrir sua conta gratuita na Terra Investimentos e contar com nossa assessoria para tirar todas as suas dúvidas! Vamos juntos!

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