CDI e Selic: você sabe qual a relação entre ambos?

Tempo de leitura: 5 minutos

Imagem representa o dinheiro brasileiro e os principais indicadores - CDI e Selic
Imagem representa o dinheiro brasileiro e os principais indicadores - CDI e Selic

No mercado financeiro, a quantidade de siglas e expressões causam confusão até mesmo entre os investidores experientes, e um exemplo disso é CDI e Selic. Ambos estão relacionados e têm a ver com taxas de juros, mas não significam exatamente a mesma coisa.

Se você também se perde eventualmente no meio de tantas siglas, seja nos seus investimentos ou mesmo nas notícias sobre economia, continue a leitura e entenda o que cada um desses conceitos representa.

Qual a diferença entre CDI e Selic?

Antes de mais nada, é importante entender que CDI e Selic não são investimentos, e sim referenciais para a rentabilidade de algumas aplicações, empréstimos e reajustes de contratos.

Por exemplo, o Tesouro IPCA+ é um título público cujo rendimento acompanha a evolução do IPCA, um dos principais índices de inflação do Brasil. Da mesma forma, CDI e Selic são utilizados para estabelecer a remuneração dos outros tipos de Tesouro Direto, alguns fundos de investimento e outros títulos de renda fixa.

Dito isso, vejamos agora o que significa cada um desses referenciais.

CDI

CDI é a sigla para Certificado de Depósito Interbancário. Trata-se de um título emitido por um banco para garantir um empréstimo tomado junto a outro banco. 

Para entendermos bem o CDI, precisamos antes conhecer alguns aspectos sobre o funcionamento das instituições financeiras no Brasil. Acompanhe a seguir.

Por determinação do Banco Central, todos os bancos têm o dever de fechar o dia com recursos em caixa. Você pode estar pensando: mas afinal, por que um banco fecharia o expediente com o caixa negativo, não é mesmo? Pois saiba que isso acontece com muita frequência, pois há dias em que algumas instituições financeiras emprestam mais recursos do que recebem aplicações. Nesse caso, o banco que emprestou mais dinheiro do que recebeu de clientes precisa pedir um empréstimo a outro banco. Isso não significa que a instituição financeira que pediu o empréstimo tenha algum problema financeiro; ela simplesmente precisa de dinheiro para que o seu caixa não durma no vermelho.

Esses empréstimos feitos entre os bancos são de curtíssimo prazo, e normalmente a liquidação ocorre em menos de 24 horas. Como vimos, a finalidade da operação é somente evitar que o caixa fique descoberto no final do dia. É justamente desse tipo de transação que vem o nome CDI, ou seja, dos depósitos interbancários que as instituições financeiras fazem entre si para que o seu caixa não fique negativo.

Relação do CDI com os investimentos

O CDI é o benchmark de muitos fundos de investimento e de títulos de renda fixa pós-fixados, como CDBs, LCIs e LCAs, e também da renda fixa privada, como debêntures, CRIs e CRAs.

Por exemplo, se a remuneração de um CDB é 120% do CDI, isso significa que o título irá render o valor cheio do CDI acrescido de 20%.

Selic

A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira, e o seu nome vem da abreviação de Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Esse é um programa de negociação de títulos públicos federais administrado pelo Banco Central, sendo que a Selic representa a taxa média das negociações diárias nesse sistema, conforme veremos adiante.

Essa taxa é definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom). A cada 45 dias, esse colegiado se reúne para deliberar sobre o rumo dos juros da economia brasileira. Nesse sentido, os seus participantes trazem informações para que se possa avaliar o desempenho da economia nacional. Com isso, traçam perspectivas para os mercados nacional e internacional, e isso serve também para balizar o rumo da taxa Selic.

Relação da Selic com a política monetária

Na política monetária de um país, um dos principais instrumentos de controle da inflação é a taxa de juros. No Brasil, a definição da Selic tem como base o sistema de metas de inflação, criado em 1999 com a finalidade de manter a inflação dentro de uma faixa estabelecida pelo governo.

De forma geral, uma economia mais aquecida gera nas pessoas a disposição para consumirem mais. É claro que isso é bom para o país, pois com maior demanda as empresas produzem mais, o que aumenta suas receitas, resultados e também a arrecadação do governo. No entanto, quando o consumo se torna excessivo, as empresas não dão conta de produzir bens e serviços para todos.

Essa escassez de bens e serviços é o que chamamos de inflação de demanda. Quando isso acontece, uma das alternativas que o governo tem para frear o consumo é aumentar a taxa de juros. Ao fazer isso, os gastos são desestimulados, pois os financiamentos e os custos de produção para as empresas também ficam mais caros. Dessa forma, os consumidores perdem o ânimo para os gastos, e isso faz com que os preços recuem gradualmente.

Na situação contrária, a Selic também funciona como um regulador do mercado. Ou seja, quando a atividade está desaquecida por causa do desemprego ou de crises financeiras, o governo baixa os juros para impulsionar a economia.

Relação da Selic com os investimentos

Da mesma forma que o CDI, a Selic também é a referência de rentabilidade para alguns investimentos bastante populares no mercado. Possivelmente o mais conhecido deles seja o Tesouro Selic, a opção do Tesouro Direto adequada para compor a reserva de emergência. Mas você também pode encontrar LCIs, LCAs e outras alternativas de renda fixa pós-fixada atreladas à taxa básica de juros.

E qual a relação entre CDI e Selic?

Os empréstimos bancários que vimos anteriormente são garantidos por títulos públicos emitidos e vendidos pelo governo federal, por meio do Sistema Especial de Liquidação e Custódia. Por isso é que a Selic representa a taxa média das negociações diárias que acontecem nesse sistema.

Em relação aos valores, CDI e Selic estão sempre muito próximos, sendo que o CDI costuma ficar normalmente 0,10 ponto percentual abaixo da Selic Meta, definida pelo Copom.

Impacto do CDI e Selic nos investimentos

Como vimos, CDI e Selic têm valores bem próximos e se movimentam na mesma direção. Isso significa que as oscilações da taxa básica de juros impactam da mesma forma tanto os títulos públicos quanto a renda fixa bancária e privada.

Quando os juros estão em um período de alta, a remuneração dos títulos pós-fixados também aumenta. Por exemplo, se você adquiriu um CDB que paga 100% do CDI em março de 2021, quando a Selic estava da mínima histórica de 2%, hoje o seu rendimento é bem maior do que naquela época. De lá para cá, a Selic subiu diversas vezes e, consequentemente, o CDI também.

Já quando a tendência dos juros é de queda, o rendimento pós-fixado acaba se tornando menos atrativo. Aqui, vale o mesmo raciocínio: se você adquiriu um título pós-fixado em um momento de juros em baixa, tempos depois verá que seu rendimento será menor. Ou seja, em tempos de Selic em queda, os títulos prefixados acabam sendo mais vantajosos para os investidores de forma geral.

No entanto, há outro ponto importante além da taxa de juros que você deve observar em relação à rentabilidade dos investimentos, que é a inflação. Isso porque, mesmo que a Selic esteja alta, se a inflação também estiver, isso reduzirá o ganho dos pós-fixados. Por isso, em tempos de juros e preços em alta, é preciso diversificar a carteira para proteger o dinheiro da inflação. E isso você consegue fazer investindo em títulos atrelados a algum índice inflacionário. Assim, o seu investimento acompanhará a alta dos preços, e isso ajuda a preservar o valor do seu patrimônio.

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